24 maio 2008

Tempo de balanço


Mais uma época chegou ao fim, cheia de acontecimentos marcantes, recordes batidos e, como sempre, muitas controvérsias. Com um vencedor encontrado desde muito cedo, a Liga Bwin 2007/2008 teve muita emoção, até ao fim, no que toca à luta pelos lugares europeus. No entanto, o campeonato, agora findo, não se jogou unicamente dentro das quatro linhas, já que, também, ficou marcado pelos processos “Apito Final” e a questão, cada vez mais frequente no nosso futebol, dos salários em atraso.

O F.C. Porto foi, sem qualquer dúvida, a melhor equipa do campeonato. Desde muito cedo começou a criar uma diferença pontual muito grande em relação aos seus adversários mais directos pela luta do título, acabando com uma diferença pontual (sem os seis pontos que lhe foram retirados devido ao processo “Apito Final”) de 20 pontos! Há muito tempo que não se via uma diferença tão grande entre o campeão e o segundo lugar. Este F.C. Porto demolidor deveu-se (para além da excelente organização e estabilidade internas) à manutenção da sua equipa, do ano anterior. Analisando o onze base do F.C. Porto podemos concluir que Jesualdo Ferreira pouco ou nada mudou, em relação à época transacta. As excepções foram Tarik Sektioui e Ernesto Farías (e por momentos, Mariano Gonzalez). Foi uma aposta ganha por parte de Jesualdo Ferreira. A grande mágoa portista prendeu-se com a carreira europeia, eliminado pelo “modesto” Schalke 04 nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

Para os lados de Lisboa, os dois maiores clubes da cidade fizeram uma época decepcionante, tendo o Sporting, no entanto, mais razões para sorrir. Com um plantel bastante curto, em termos de quantidade/qualidade, o Sporting desta época teve grandes contrastes. Entre grandes exibições e jogos “paupérrimos”, Paulo Bento foi obrigado a utilizar, praticamente sempre, o mesmo onze. Jogadores como João Moutinho, Tonel ou Liedson acumularam inúmeros minutos entre as quatro competições em que o Sporting participou (Campeonato, Liga dos Campeões/Taça UEFA, Taça da Liga e Taça de Portugal). Mesmo com um plantel tão curto, os leões conseguiram alcançar o segundo lugar, vencer a Taça de Portugal, chegar à final da Taça da Liga e aos quartos-de-final da Taça UEFA, sendo eliminado pelo Glasgow Rangers.

Do outro lado da Segunda Circular, o Benfica fez uma das suas piores épocas de sempre. Tendo investido qualquer coisa como 30 a 35 milhões de euros em reforços, os encarnados demonstraram que o dinheiro não paga a felicidade, nem cria grandes equipas. Sem um projecto concreto e devido à constante instabilidade do clube, o Benfica teve três treinadores, sendo que o primeiro foi despedido, logo, à primeira jornada?! Sempre mais preocupados com questões externas ao clube, os encarnados passaram completamente ao lado das competições em que participaram. O jogador que mais se destacou foi, sem dúvida, o “veterano” Rui Costa, que em final de carreira demonstrou toda a sua qualidade. Para além do Rui Costa, há a destacar também o guardião Quim que, por muitas vezes, evitou o pior.

Se os grandes de Lisboa desiludiram, os Vitórias foram as grandes revelações desta época. Com orçamentos muito baixos, conseguiram construir as suas equipas e torná-las muito competitivas. O de Guimarães conseguiu chegar ao terceiro lugar, qualificando-se pela primeira vez para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, dando, os seus adeptos, um grande exemplo de apoio ímpar à sua equipa. Quanto ao Vitória de Setúbal, demonstrou também bom futebol alcançando o sexto lugar da Liga Bwin e vencendo a recém-criada Taça da Liga. Os dois Vitórias contribuíram, em muito, para a presença de mais público nos estádios. Os dois clubes (um, vindo da Liga de Honra, outro, com graves problemas financeiros) deram um grande exemplo ao futebol. O espectáculo agradece.

A época ficou ainda marcada pelos casos extra relvado. Desde o processo “Apito Final” até aos salários em atraso (cada vez mais frequentes no nosso futebol) foram inúmeros os casos que ensombraram, uma vez mais, o futebol português.

Para além disso, e em tom de nota final, gostaria, também, de realçar o facto da Taça da Liga e a de Portugal não terem tido grande sucesso. Explico-me. No que toca à nova competição (Taça da Liga) será necessário que a Liga de Clubes repense o formato da prova, para que os maiores clubes tenham vontade de disputá-la. Para além do formato, os prémios também deverão ser revistos. Num país como o nosso, não será, de todo, fácil, mas é necessário que esses clubes, ditos maiores (não estou só a falar dos três grandes, mas principalmente) cheguem longe na prova, já que são eles que poderão dar maior ou menor relevância e mediatismo à competição. Quanto à Taça de Portugal, a ideia é a mesma, sendo que neste caso, realçaria o facto de não concordar, há muito tempo, com o facto da final se realizar no Estádio do Jamor. Para além de representar uma época negra para o País, o Estádio não oferece as condições necessárias (conforto, segurança, etc.) para acolher uma final. Com tantos estádios no País, construídos para o Euro 2004 e, em certos casos, com as suas equipas a jogarem nas divisões secundárias, porque não realizar a final da Taça noutro local. Casos como o estádio de Aveiro, Leiria, Algarve, Coimbra que passam a temporada inteira vazios (tirando o de Coimbra) poderiam perfeitamente acolher a final. Além disso, são cidades que já demonstraram (especialmente nos casos de Aveiro e Leiria) não terem uma grande tradição em irem aos estádios e verem bons jogos de futebol. Seria bom pensar urgentemente nesta duas competições, para que não sejam, cada vez mais, relegadas para segundo plano.

12 maio 2008

Até sempre... "Maestro"!

A nossa vida é marcada por acontecimentos e personalidades que, por uma razão ou por outra, nos marcam e simbolizam um pouco daquilo que nós somos. A noite de ontem ficou marcada pela despedida de um dos melhores jogadores do futebol português. Um desses Homens que marcaram e influenciaram várias gerações pela qualidade profissionais e pessoais. O Estádio da Luz viu partir um dos seus meninos de ouro e o futebol perdeu o “último dos maestros”.

Rui Manuel César Costa ficará na história do futebol pelo seu génio. Por onde passou, deixou marcas e espalhou magia. Da Damaia (onde nasceu) a Florença, passando por Milão, todos os amantes do futebol se renderam à classe deste jogador. Pisou os grandes palcos do mundo e dirigiu, como só ele sabe, os melhores jogadores de futebol, não fosse ele, também, um dos melhores.

A sua grande paixão foi e é o “seu” Benfica, clube que o viu crescer desde os dez anos. Nunca escondeu o grande amor pelos “encarnados”, tendo protagonizado um episódio pouco vulgar – ter chorado, depois de marcar um golo pela Fiorentina, ao seu clube do coração. Regressou há dois anos, para terminar a sua fantástica carreira “no seu estádio e no meio da sua gente”. No dia do adeus, o Estádio da Luz encheu e voltou a viver-se o famoso inferno da Luz, como há muito não se via.
Ontem, a nação do futebol ficou um pouco mais triste.

Obrigado e até sempre… “Maestro”!





10 maio 2008

Quais eleições?!


É mais que sabido (foi tema do meu post anterior) que em época de eleições, os governantes alargam mais o cinto para realizar as políticas mais populares, para serem reeleitos (como descidas de impostos ou obras públicas).

No entanto, nas últimas semanas, a cidade de Viseu, uma das cidades, do Interior do país, mais desenvolvidas e que maior crescimento urbanístico teve nos últimos 15-20 anos, foi “virada de pernas para o ar” e embelezada para receber o estágio da Selecção Nacional de Futebol, com vista à preparação do Euro 2008. Durante duas semanas, a cidade vai estar no centro do Portugal futebolístico, isto é, vai ser vista por todos os portugueses, em todos os telejornais, em constantes directos.

Desta forma, a cidade de Viseu entrou, há algumas semanas para cá, num autêntico frenesim de obras, para este acontecimento único. Se em relação aos melhoramentos das infra-estruturas do estádio do Fontelo concordo, no que toca à criação/melhoramento de vários quilómetros de passeios, um pouco por toda a cidade ou, ainda, a requalificação de algumas das vias em redor e dentro da cidade, dão que pensar. Não que eu me oponha a isso, bem pelo contrário. Em muitos dos casos eram obras que já deveriam ter sido realizadas há muito tempo. Aí, é que está a questão. Pensava que não era necessário vir a Selecção Nacional para essas obras serem realizadas. A vinda da equipa das quinas é, sem dúvida nenhuma, muito benéfica para toda a região, já que vai trazer muita gente durante estas duas semanas, para além, de promover a cidade e dinamizar a economia local. No entanto, é com alguma tristeza que vejo a real importância dos cidadãos, que realmente utilizam, todos os dias, essas vias.

Não vejo outra maneira, senão, promover uma volta a Portugal da Selecção. Talvez muitas estradas, por este país fora, sejam requalificadas…

04 abril 2008

Eleições à vista



É sintomático que em vésperas de eleições, os governantes coloquem em prática as medidas que mais agradam aos seus eleitores. Seja em Portugal, no Japão ou na Argentina, acaba por ser um princípio básico do Marketing Político. Descidas de impostos, obras e mais obras, faz-se de tudo para que naquele, curto, espaço de tempo, os eleitores esqueçam tudo o que se fez de mau durante o resto de legislatura.

A um ano das eleições legislativas e autárquicas no nosso país, constata-se um certo apaziguamento das políticas mais sensíveis do Governo Sócrates. Com o fim da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, a 31 de Dezembro último, que o Governo tem, gradualmente, mudado o rumo que tinha traçado a quando da sua eleição há três anos. Casos como a saída de Correia de Campos da pasta da Saúde (é uma área muito sensível, por abranger toda a sociedade, ao contrário da Educação), o anúncio de obras públicas mais ou menos faraónicas e o caso mais recente da descida do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) de 21 para 20%, com entrada em vigor no próximo dia 1 de Julho.

Depois de três anos em “guerra” contra o défice público e de “aparente” saneamento das contas públicas, com o Sr. Ministro Teixeira dos Santos a repetir incansavelmente de que não teríamos descidas de impostos nesta legislatura, não deixa de ser surpreendente este anúncio da descida do IVA por parte do Governo. Mesmo com o défice de 2007 a fechar abaixo dos 3% (2,6%), o Governo Sócrates viu-se na obrigação de suavizar a crescente onda de contestação que varre o país, utilizando o argumento de que o défice está controlado?! Por favor, Sr. Primeiro-Ministro. Com 2,6%? O défice controlado? Não passa de uma medida para que os portugueses acreditem de que o pior já passou e que a partir de agora a situação vai melhor, e claro, para este Governo ficar mais quatro anos.

Para além disso, esta medida é contraditória, já que os portugueses não vão poder desapertar o cinto, nem sequer vão ver as suas carteiras com mais dinheiro (pelo menos aquele 1% a mais, da descida do IVA). Já que no dia-a-dia, a descida deste ponto percentual, não passa de uns pequeninos cêntimos, e como tal, esses poucos cêntimos vão parar ao bolso dos empresários (que já vieram aprovar com entusiasmo esta medida).

29 março 2008

Professores vs. Alunos

É geral e cada vez mais presente na nossa sociedade, o descontentamento dos professores. Estamos a assistir ao descrédito de uma classe que, talvez seja a única, que ainda luta de forma unida pelos seus problemas. A sociedade portuguesa está a desprezar os seus professores (profissionais encarregues de transmitir conhecimento às novas gerações). É ideia geral da população, de que esta classe goza de regalias que os outros trabalhadores não têm (semanas de férias, bom salário e trabalho pouco desgastante). Esta classe acaba por ser vítima da sua própria luta junto dos governantes (nomeadamente em relação às constantes reformas implementadas pelos sucessivos governos e ministros da tutela). A constante mediatização da luta dos profissionais do ensino acaba por “cansar” o resto da sociedade, que vê esta luta como uma vitimização dos professores.

No entanto, estamos a chegar a um ponto de situação muito grave. Para além do referido anteriormente, os professores estão a sofrer na pele esse crescente descrédito. As mais recentes notícias de violência de alunos contra professores têm sido abertura dos telejornais. Esta nova guerra na sociedade tem como principais culpados: todos nós. Não estou aqui a martirizar os professores, nem a fazer de “advogado do diabo”, já que não concordo em muitas questões defendidas pela classe. No entanto, a situação chegou a um nível muito perigoso. A situação ocorrida na Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, é muito grave e acaba por ser a ponta do icebergue. Muitos outros casos acontecem e nunca chegam a ser divulgados nos media ou mesmo na própria escola. É por isso, que a aluna deve ter um castigo exemplar, para que esta geração e toda a sociedade reflictam.

O professor tem um papel muitíssimo importante na sociedade, já que é ele que transmite o conhecimento às novas gerações e é o garante de uma sociedade mais civilizada. Colocando de lado a questão da qualidade do ensino ou dos próprios professores, já que não é isso que está aqui em jogo, o professor deve ser respeitado por todos nós, pelo seu papel na sociedade e, pura e simplesmente, por ser uma pessoa igual a todas as outras. É comum ouvirmos os nossos pais dizerem-nos como os professores eram rígidos, no seu tempo, e como os seus próprios pais davam a liberdade aos professores para colocarem os seus filhos “na linha”. Hoje, acontece o contrário. Os alunos vão para a escola sem qualquer interesse e respeito pela instituição “escola” e pelos seus professores. Para além disso, ainda têm o apoio dos pais que, eles sim, deveriam educar os seus filhos (também aqui é uma ideia generalizada de que os professores é que devem dar educação aos alunos.) Os pais não participam, em muitos casos, na vida escolar dos filhos, entregam-nos à escola, e os professores que façam o que lhes compete e mais ainda. Mais grave ainda, os pais protegem os maus comportamentos dos seus filhos, tendo o descaramento de aparecerem na escola gritando com os profissionais do ensino. “Porque o meu filho em casa não é assim…”, “porque ele não está a passar um período muito bom…”, etc, etc, etc…

Que este caso seja um exemplo para todos os outros alunos do país e que nos faça reflectir em relação aos nossos comportamentos… pouco cívicos.

08 março 2008

Tons de mudança

Depois de algumas semanas de afastamento, por obrigações académicas, estou de volta ao activo. Depois de alguns leitores terem manifestado alguma tristeza por esta paragem momentânea, espero ter mais tempo disponível, a partir de agora, para o blogue. Para minha infelicidade, os dias só têm 24 horas.

Durante estas semanas, foram inúmeros os acontecimentos marcantes que foram noticiados, uns mais do que outros, pelos media internacionais. Seria humanamente impossível e tornar-me-ia repetitivo escrever sobre todos eles ou mesmo sobre os mais importantes. Desta forma, para este regresso, decidi trazer quatro temas que poderão ser o início de novas etapas, em diferentes regiões do globo.

Em primeiro lugar, o acontecimento mais significativo foi o afastamento, por vontade própria, de Fidel Castro, de todos os cargos de poder da República de Cuba. Este afastamento, para já, e ao que tudo indica, será só aparente, já que Fidel, líder incontestado da revolução cubana, continuará a opinar sobre os acontecimentos que marcam o dia-a-dia do país no jornal do Partido Comunista Cubano e terá sempre influência, no rumo a dar a Cuba. Para o seu lugar, foi eleito, no passado dia 24 de Fevereiro, o seu irmão Raúl Castro, de 76 anos, que já estava a chefiar o Conselho de Estado, em substituição de Fidel, devido à doença deste último.

Goste-se ou não da pessoa ou das suas ideologias socialistas, Fidel Castro marcou a história do século XX, pela coragem que sempre demonstrou em fazer frente aos todo-poderosos Estados Unidos da América (EUA), em nome dos “oprimidos” ou do movimento dos não-alinhados. Após 49 anos de poder, Fidel afasta-se, pelo menos dos cargos políticos. Este facto é o virar de página da história cubana. Não é o fim, nem sequer o início do fim da ditadura, mas poderemos estar perante o início de algumas mudanças da ideologia comunista que governa o país. Haverá uma abertura gradual ao exterior. É, sem dúvida, a modernização do regime, tal como, sucedeu na China. Os próximos anos nos esclareceram…




Em segundo lugar, e menos mediático que o primeiro, foram as eleições presidenciais em Chipre. A subida ao poder de Demetris Christofias, poderá ser uma viragem para o país, situado no mar Egeu, e dividido desde 1974. A sul da ilha, a República de Chipre (pró-grega), reconhecida pela comunidade internacional e membro da União Europeia desde 2004, a norte, a República Turca de Chipre do Norte (pró-turca), reconhecida unicamente pela Turquia. Os dois Estados têm como capital, Nicósia, que é a última capital europeia dividida. Em 1974, reagindo a um golpe dos cipriotas gregos, que queriam a união com a Grécia, a Turquia invadiu a ilha, ocupando a parte norte.

Christofias já demonstrou vontade em encontrar-se com o seu homólogo do norte, algo impensável, com o anterior chefe de Estado, Tassos Papadopoulos. Com esta eleição, a população do lado grego, demonstrou vontade de mudança, relativamente ao processo de reunificação. Os próximos meses serão decisivos…



O terceiro exemplo que trago aqui e que demonstra alguma mudança na política internacional em algumas partes do globo, é a recente visita do Presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, ao Iraque. Pela primeira na história, um presidente iraniana pisou solo iraquiano. Um marco histórico que durou quarenta e oito horas e que representa a reaproximação de dois países que já foram inimigos. Para além disso, há a realçar duas consequências desta mesma visita. Em primeiro lugar, a possível aproximação entre o Irão e os EUA, tendo o Iraque como intermediário. Nos últimos meses, foi notório o apaziguamento das relações entre Irão/EUA, nomeadamente no que toca à questão do programa nuclear iraniano, tendo os EUA apresentado um relatório dos seus serviços secretos realçando o fim desse mesmo plano em 2003.

A segunda questão a realçar desta visita de Ahmadinejad ao Iraque, serve para demonstrar um certo ascendente do seu país naquela região. Com o ataque dos EUA ao Afeganistão e ao Iraque – afastando regimes políticos hostis a Teerão – proporcionaram ao Irão uma importância regional que não tinha até agora. Mais visitas entre os dois governos se perspectivam nos próximos tempos…



Por fim, e como último caso de mudança, temos a Coreia do Norte. A Coreia do Norte é uma ditadura socialista rigidamente centralizada, com o poder nas mãos de Kim Jong Il. Parece surpreendente, mas é verdade. O regime coreano entreabriu as portas do país para acolher um concerto da Filarmónica de Nova Iorque em Pyongyang, capital norte-coreana. Tal como no exemplo anterior (do Irão), aqui também verificamos algum desanuviamento das relações entre os EUA e a Coreia do Norte (tal como o Irão, membro do denominado (pelos EUA) “Eixo do Mal”). Este evento marcou a primeira deslocação da maior instituição cultural norte-americana àquele território. Além disso, esta deslocação significou a maior presença de cidadãos norte-americanos em solo norte-coreano, desde o fim da guerra da Coreia, em 1953. Para 2009, Kim Jong Il vai reabrir as portas do país para outro concerto, e desta vez será… Eric Clapton.

25 dezembro 2007

Assim vai o Natal


O Natal é a festa do nascimento de Jesus Cristo, celebrada a 25 de Dezembro. Ignora-se a data exacta, sendo esta data aquela em que se celebrava o nascimento do Sol Invicto no Império Romano: a Igreja cristianizou-a, celebrando o nascimento de Cristo, verdadeiro “Sol de Justiça” simbolizado nas luzes características desta festa, à qual andam ligados o presépio, desde o século XIII, e o pinheiro de Natal, desde o século XVII, símbolo da Primavera espiritual iniciada com o nascimento de Cristo.

Com o tempo surgiram as tradições natalícias que foram suplantando o valor religioso do Natal e abriram a festa a manifestações mais profanas, ainda que outras tenham surgido como forma de homenagem e louvor ao menino Jesus.

Mais uma vez, chegamos a essa data e o mundo está em êxtase com a época natalícia. No entanto, os valores e significados desta época já não são o que eram. As pessoas já não dão a importância àquilo que verdadeiramente é o Natal. Nem sei se festejam, realmente, o Natal.

Hoje, o Natal é feito de idas constantes aos supermercados e aos centros comerciais, com regressos a casa com inúmeros sacos. Presentes e mais presentes. Para os amigos, para os vizinhos, para a/o esposa/esposo ou, mesmo, para os próprios. Os almoços de família antes do grande dia são passados a saber o que uns e outros querem receber. Presentes e mais presentes. Uns úteis outros nem por isso. (Parece que a moda, este ano, é o GPS, que toda a gente quer e ninguém sabe bem porquê e para quê. Pessoalmente, acho que é a nova decoração que os portugueses encontraram para colocar nos seus automóveis, tal como foi, anteriormente, o CD no retrovisor ou a almofada rendada no vidro de trás).

Dezembro tornou-se na época por excelência, onde todas as pessoas são solidárias (como se durante o resto do ano não houvesse pessoas a viver na rua ou a passar muitas dificuldades) (Já agora, aproveito para deixar a sugestão aos órgãos competentes que se proclame o mês da solidariedade (tal como existe o dia disto ou daquilo)). Todos são amigos uns dos outros, contrastando com a má disposição existente durante as outras épocas do ano. O Natal é uma festividade religiosa que todos (incluindo ateus, agnósticos e quaisquer outros palavrões como esses) utilizam como pretexto para mergulhar os seus impulsos consumistas nos centros comerciais, gastando o que podem e o que não podem. De ano para ano, batem-se recordes de envios de sms’s e de transacções através do Multibanco. Milhões de euros todos os anos! Os Belmiros de Azevedos e os Jardims Gonçalves agradecem! Dizem-me que o Natal é uma festa de família, de reunião. Mas, será que é necessário haver o pretexto do Natal para as famílias se reunirem?

Por fim, venera-se um boneco criado em 1931 pela Coca-Cola para uma campanha publicitária da marca (figura essa inspirada em São Nicolau Taumaturgo, Arcebispo de Mira).

Assim vai Portugal e o Mundo no ano de 2007.

27 novembro 2007

Muito se falou, nos últimos dias, sobre aquela que poderá vir a tornar-se a frase mais polémica e conhecida das relações internacionais (já é toque de telemóvel, com um êxito estrondoso).

Foram muitos os debates e comentários sobre o assunto. Uns a favor do Rei Juan Carlos, outros em defesa de Hugo Chávez. Quem terá razão? Nenhum. Quem ficou a ganhar? Sem dúvida, o presidente venezuelano, que mais uma vez consegue irritar-nos.

As ilações a tirar, em primeiro lugar, são que o Rei Juan Carlos foi contra todos os manuais de protocolo e todas as regras básicas de boa educação, ao mandar calar um Chefe de Estado (que muito defendem, democraticamente eleito (mas chegado ao poder através de um golpe de estado e constantemente reeleito através de muitas pressões junto dos cidadãos venezuelanos)). No entanto, o rei fez aquilo que muitos de nós (opinião pública), e muitos dos dirigentes dos países ocidentais, gostariam de ter feito, mas que em nome da “realpolitik”, nunca se atreveriam a fazer, já que seria quebrar as relações diplomáticas com um dos países com maiores stocks de petróleo do mundo. Sem querer fazer do Rei Juan Carlos um herói, bem pelo contrário, também não o quero crucificar, como vi durante estes dias, em muitos medias. Para além disso, e para os mesmos que quiseram “acabar” com o rei espanhol, Chávez também ele não esteve bem. Que eu saiba, quando outra pessoa está a falar, não se interrompe. Mas vindo dele, não tem importância, já que ele é um anti-Estados-Unidos, anti-globalização e, talvez, anti-tudo o que mexa neste mundo.

O segundo ponto a realçar, e talvez o mais importante, é a importância desta “cumbre” Ibero-americana. Para que serve? Qual a sua finalidade? O que defende? Ainda não percebi. O que sei, é que foi um fracasso total e só foi notícia devido ao sucedido. Esta cimeira, mais pareceu uma luta entre o Império espanhol e as suas colónias, com sede de independência. Para além de Chávez, também o Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega (“companheira de estrada” de Chávez), levou o Rei espanhol a abandonar a sala. Esta cimeira demonstrou a crescente mudança nas lideranças dos países sul-americanos, passando estes a ter à sua frente políticos populistas que não sabem o significado de palavras como democracia ou liberdade de expressão (Bolívia, Venezuela, Nicarágua e a mais antiga, Cuba). (Antes que me acusem de defender os chamados países ocidentais, relembro uma das citações mais conhecidas de Winston Churchill: "A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos")

Há também a ter em conta, a falta de firmeza da presidente chilena, Michelle Bachelet, que deveria ter interrompido Chávez, para evitar o sucedido, e para este deixar o primeiro-ministro espanhol, José Luís Zapatero, falar.

No entanto, lá temos que engolir com estes senhores, em nome da já referida “realpolitik”, já que eles têm petróleo e gás natural.



PS: enquanto escrevo estas linhas, passam imagens no telejornal, de confrontos na Venezuela, entre a polícia e manifestantes, contra a nova Constituição que poderá levar Chávez a perpetuar-se no poder.

22 novembro 2007

Mais do mesmo...



Em tempos de discussão do novo Orçamento de Estado, o País fica a conhecer para onde vai o dinheiro dos nossos impostos, onde vai ser investido ou gasto de forma desmesurada.

É também nesta altura, que todos nós ficamos a conhecer as autarquias mais endividadas de Portugal. Podería ser o anúncio de um qualquer recorde do Guiness Book, mas não é. É um problema muito grave e sério. Tendo um limite de 40% de endividamento, nesta altura, existem 22 autarquias que ultrapassam tal percentagem. Muitas delas, estão numa situação muitíssimo preocupante. São os casos de Fornos de Algodres e de São Pedro do Sul.

Ora, é com grande tristeza que, mais uma vez, vejo o Concelho de São Pedro do Sul na ribalta dos media nacionais, pelas piores razões.

As contas de 2006 revelam um excesso de endividamento (para além dos 40% estabelecidos por lei) por parte do Município na ordem 1,5 milhões de euros. As consequências de tal endividamento são graves. O ministro das Finanças assinou um despacho para a retenção de 10% das transferências mensais que o Estado Central faz para as autarquias, até a situação estar regularizada. Feitas as contas, a Câmara de São Pedro do Sul deixa de receber 58.357€ por mês! Não deixa de ser um grande arrombo nas contas da autarquia.

Como foi possível chegar a tal situação, não sei. Nem sei se quero saber, nesta altura. A verdade, é que ao contrário do que diz um dos vereadores da oposição (que parece ter lugar cativo num dos jornais regionais, para fazer a sua oposição), a culpa não é deste actual executivo camarário (e não estou a fazer a defesa do diabo). A situação agravou-se, e muito, com este executivo. No entanto, os problemas financeiros já existiam quando o actual partido da oposição estava no poder. (Mas isso, não convém lembrar.) Mas, nesta altura, estou mais preocupado com o futuro do Concelho, que não creio que vá ser o melhor. Alguns dos problemas já os referi em posts anteriores. São Pedro do Sul está a sofrer uma crise sem precedentes. A desertificação já é um problema visível. Os jovens não se instalam na região, tenham eles cursos superiores ou não.

Algumas das possíveis soluções, também, já as referi. Haja coragem política para afastar os funcionários que estão a mais e que não produzem. Isto, tanto no município como na Termalistur. Que se vendam as dezenas de carrinhas que servem para o transporte escolar (e para os funcionários passearem as suas famílias, nos domingos de Verão, até Aveiro). e concessionem o transporte escolar a privados.

A situação está assim, hoje. Daqui a um ano, estará bem pior. Basta lembrar que os valores das obras realizadas no Balneário D. Afonso Henriques, ainda não contaram para o relatório de 2006, ao contrário do que veio dizer o sr. Presidente da Câmara. Nem tão pouco começaram a ser pagos!

06 outubro 2007

Os monges saíram à rua


Nos últimos meses têm-se multiplicado as notícias vindas do sul da Ásia, mais propriamente de Myanmar.

Myanmar é, actualmente, dirigida por uma junta militar, que se auto-intitula Conselho de Estado para a Paz e o Desenvolvimento. Esta junta é composta por dezanove generais, liderados pelo septuagenário Than Shwe. Durante muitos anos, a mais antiga ditadura militar do mundo criou laços com a hierarquia religiosa do país, investindo na reabilitação e construção de templos. Era para eles, uma forma de limparem as suas almas. (De referir, que Myanmar é um país muito religioso e que os monges são, a seguir à junta militar, o grupo com maior poder no país).

Os protestos começaram a 5 de Agosto, quando a junta militar decidiu aumentar o preço dos combustíveis para o dobro. Durante uma dessas manifestações, três monges foram feridos involuntariamente. Foi o suficiente para os monges saírem às ruas das principais cidades do país e juntarem-se à população civil. (Há a ter em conta que Myanmar é um dos países com a população mais pobre da Ásia. No entanto, tem uma riqueza incalculável, desde petróleo, pedras preciosas e gás natural (estima-se que as jazidas de gás natural representem 10% das reservas mundiais).

A resposta dos militares foi brutal. O país foi literalmente fechado ao exterior. Os servidores de Internet foram deitados a baixo, cortaram-se as comunicações telefónicas internacionais, perseguiram-se e calaram-se os jornalistas, apreenderam-se telemóveis, computadores e máquinas fotográficas, cercaram-se mosteiros, detiveram-se monges e opositores. Conclusão: oficialmente, nove pessoas morreram. Mais de 200, segundo os movimentos dissidentes.

A nível internacional pouco ou nada se tem feito (tirando as “sempre” “inúteis” sanções). A comunidade internacional tem tido muito cuidado neste caso. E existem razões para isso. Então vejamos. Desde a independência da Birmânia, em 1948, que a única instituição a funcionar como unidade interna do Estado e da sua integridade territorial são as Forças Armadas. O país apresenta uma das maiores diversidades étnicas do mundo. Mesmo o maior grupo de oposição, a Liga Nacional para a Democracia, liderada pela prémio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, não tem, ainda, uma organização unitária. Assim, percebe-se o temor da comunidade internacional, que receia um vazio no poder, susceptível de iniciar um processo desintegrador, capaz de ameaçar a segurança na região.

No entanto, outros interesses se sobrepõe. A Rússia e a China já manifestaram o seu desagrado, no caso de sanções por parte da ONU. Totalmente compreensível, já que a China é dos principais apoiantes da junta militar birmanesa. Para além disso, tem avultados investimentos no país. Mas terá a comunidade internacional coragem de enfrentar a China e a Rússia? Até agora parece que não… É por isso, que temos de ser nós (opinião pública) a não deixar, estes temas, caírem no esquecimento.

29 setembro 2007

A polícia está de volta


Terça-feira, 25 de Setembro de 2007, Estádio Nacional, Lisboa, Portugal. The Police estão de volta, vinte e sete anos depois…

São aproximadamente 17h20 quando chego ao Estádio Nacional. As portas acabaram de abrir há vinte minutos. Dentro do estádio ainda são poucos, aqueles que vieram ver a banda de Sting, Stewart Copeland e Andy Summers. Junto ao palco, algumas dezenas de fãs já estão sentados, a guardar o melhor lugar para apreciar o espectáculo. A tarde começa a esfriar. Com os minutos a voar, as pessoas vão chegando. Já se vêem pessoas de todas as idades. No bar encontro um casal de ingleses com dificuldades em comunicar com o barman. Querem saber a que horas começa a primeira banda. Apercebendo-me da cena, dou a informação que o casal desejava. Os dois ingleses terão aproximadamente sessenta anos. Quando regresso ao local que, entretanto, escolhi para me deliciar com os êxitos de Sting e companhia, vejo ao meu lado um jovem, aparentemente vindo directamente da escola, a fazer os trabalhos de casa. Curiosa a diferença de idades encontrada num curto espaço de tempo, penso eu. Mas talvez não. Afinal de contas, The Police separaram-se há vinte anos, mas as suas músicas perduraram durante todo este tempo e os jovens de hoje ainda as ouvem. São poucas as bandas que se podem “gabar” de perdurar no tempo, como o fizeram os Police. Mas qual o segredo deste sucesso, penso eu? Talvez o facto de se terem separado precocemente, quando ninguém estava à espera?

Começam a ver-se as primeiras movimentações, em cima do palco. São 20h15. É a banda de suporte que entra, com uma hora e quinze minutos de atraso. Atraso que se justifica pela, ainda, pouca afluência. Quem anda na estrada, perceberá o quão difícil é tocar para “meia dúzia de gatos-pingados”. Mas, é o Sting?! Não. É o seu filho Joe com a sua banda, os Fiction Plane. Iria jurar que era o Sting! Incrível como o puto (30 anos?!) é parecido com o pai, nos inícios dos Police. Teremos entrado na máquina do tempo? Teremos voltado trinta anos atrás? Impossível, eu ainda nem era um projecto, nessa altura. Acho que estamos mesmo em 2007. Para além de se parecer com o pai, também é baixista, e é o líder de uma banda com três elementos. Não serão semelhanças a mais com os Police? A música começa. O ar reggae também lá está, mas misturado com um rock mais agressivo. Para além de ser parecido fisicamente, também tem a voz imensamente idêntica ao pai. Está no bom caminho. Tocam uma hora. Durante esse tempo, o recinto viu o seu espaço encurtar. Enquanto no palco ainda se perfilam as mudanças de instrumentos, no resto do estádio as pessoas vão se aproximando. São 21h45 quando, enfim, e depois de uma longa espera, os Police entram em palco. A plateia não consegue conter-se. Ouvem-se os primeiros acordes de “Message in a Bottle”. O espectáculo começou. Eles estão de volta! Sting à esquerda, Andy Summers à direita e Stewart Copeland no meio e mais atrás. Com algumas rugas a mais, o jeito continua lá. Melhores do que nunca. Atrás deles, três ecrãs gigantes. Para além disso, mais dois ecrãs gigantes de cada lado do palco, sem contar com grandes efeitos de luz. As músicas vão passando. O público vai acompanhando as letras. “Walking On The Moon”, “Don’t Stand So Close To Me”, “Every Little Thing She Does Is Magic”, “De Do Do Do, De Da Da Da” e a inevitável e, para mim, das mais desejadas “Roxanne”. É tempo de fazer uma pequena pausa. A banda retira-se. O público quer mais. Os Police voltam ao palco, depois de poucos minutos. Reiniciam o espectáculo com “King Of Pain”, seguido de “So Lonely” e a conhecidíssima “Every Breath You Take”. Por fim, chega a última música “Next To You”. A banda agradece e volta a retirar-se do palco. Desta vez, definitivamente. Ainda reside alguma esperança, no meio do público, que eles voltem ao palco. Mas, depressa é dissipada com o surgimento da iluminação artificial do estádio. Acabou. Parece que sim. Pouco mais de duas horas?! Passou a voar. Acho que toda a gente queria mais. Eu, pelo menos, queria. Terminou, aquela que poderá ter sido a última actuação dos Police em Portugal. As pessoas vão saindo a conta-gotas. No palco, dezenas de homens vão acotovelando-se, desmontando todo o material para encher a quinzena de camiões estacionados da parte de fora do recinto, prontos para seguir para outro ponto do globo.

Já cá fora, as pessoas vão comentando alguns aspectos do concerto. No regresso a casa, vou ouvindo excertos de uma entrevista de Stewart Copeland a uma rádio nacional, que patrocinou o espectáculo. Chegado a casa, é tempo de descanso, é tempo de fazer um balanço. Largamente positivo. Grande concerto. Boa moldura humana (trinta e cinco mil pessoas), mas longe do que eu esperava. No entanto, compreensível por o concerto ter sido a uma terça-feira e, essencialmente, pelo elevado custo dos bilhetes. Desejo: que um dia regressem…

31 agosto 2007

Ensino Superior... às prestações


É uma obrigação do Estado e, em seu nome, do Governo, levar a educação às populações. É, também, com a educação que se cria massa crítica, emprego qualificado e, por consequência, melhores condições de vida. A educação é um pilar essencial para a construção de qualquer Estado democrático.

Sendo assim, e dentro da linha traçada pelo actual Governo, o primeiro-ministro José Sócrates anunciou, na semana passada, uma nova medida de apoio financeiro aos actuais e/ou possíveis candidatos ao ensino superior e investigadores. Esta medida passa por um empréstimo bancário em condições excepcionais, até 25 mil euros. Para além disso, o Estado deposita uma caução inicial junto do banco que conceder o empréstimo. Em compensação, o aluno não poderá chumbar de ano, sob pena de perder o empréstimo e ter um bom aproveitamento escolar durante os anos de curso. Uma medida interessante, que poderá abrir as portas de um curso universitário a muitos jovens que não teriam possibilidades para tal. Mas, com tanta oferta, não será de desconfiar? Quando os Governos (independentemente da cor política) oferecem muito, há que desconfiar.

E há mesmo, já que como qualquer empréstimo, terá que ser pago. Assim, depois de concluírem os seus cursos terão um ano de carência e só depois começarão a pagá-lo, durante um máximo de seis anos. Ora, tal como estão as circunstâncias, será necessário que o recém-licenciado encontre emprego dentro desse ano de carência. Caso encontre, terá de suportar um encargo “extra”, logo no início da sua vida de trabalhador. Mas se não encontrar o bendito emprego? Quem pagará por ele? Os pais, que muito possivelmente já terão os seus próprios empréstimos para resolver? A banca não vai, com toda a certeza, ficar sem o seu dinheiro. Ah! Deve ser o Estado que paga! Ou talvez o primeiro-ministro?!

O único fim que consigo vislumbrar desta medida é o, ainda, maior enriquecimento do sector bancário, que é o sector que apresenta os maiores lucros no nosso país. Todos os anos se batem recordes de lucros neste sector, que vão subir ainda mais. Para além disso, está-se a criar toda uma sociedade “empréstimo-dependente”.

Não é que os fins desta medida sejam maus. Mas, não seria mais justo um reforço na fiscalização da atribuição das bolsas de estudo? Talvez, fiscalizar os muitos empresários, com os seus BMW e Mercedes topos-de-gama, que só declaram o salário mínimo nacional e conseguem que os seus filhos consigam bolsas de estudo, não? Com certeza que daria para abrir horizontes a muitos jovens… sem os endividar.

23 agosto 2007

Saída anunciada?


Terá sido mesmo uma surpresa? Parece que só Fernando Santos ficou surpreendido com a sua demissão.

Foi preciso jogar-se a primeira jornada do campeonato nacional, para o presidente encarnado despedir o treinador Fernando Santos. Mas será que o culpado pelos maus resultados é mesmo Fernando Santos. Será que a “crise” encarnada não é mais profunda do que parece? Vejamos a questão mais aprofundadamente.

Em primeiro lugar, é necessário ver algumas questões estruturais, nomeadamente, no que toca aos adeptos. O Benfica tem uma massa adepta que vive a paixão pelo seu clube de uma forma muito diferente do que qualquer outro clube em Portugal. Não é que seja mais apaixonado ou não, simplesmente, vive de uma maneira muito diferente. Essa paixão tão intensa leva ao estrangulamento da própria equipa e do clube. É uma sensação difícil de descrever. Desta forma é muito difícil, à partida, treinar ou jogar no clube. Qualquer substituição errada (na opinião dos adeptos) ou qualquer mau passe de um jogador é severamente punida com uma monumental assobiadela. Não é por acaso que muitos treinadores ou jogadores passaram pelo “Glorioso” e que não foram felizes, demonstrando o seu real valor noutros clubes. Fernando Santos foi mais um treinador que não conseguiu entrar para as páginas douradas do clube da Luz.

Em segundo lugar, o treinador Fernando Santos nunca foi bem amado no clube. Desde que assumiu a posição de treinador, há um ano atrás, que os adeptos nunca gostaram dele. Nunca foi uma escolha bem vista para os lados do terceiro anel. Treinador pouco carismático, nunca foi compreendido pelos adeptos e a sua permanência na equipa técnica, no fim da época passada, foi (aí sim!) uma surpresa.

No entanto, a questão para esta instabilidade vem não do treinador, mas sim, da organização do clube. Ou, da falta dela. No sábado, após o jogo com o Leixões, o capitão da equipa (Nuno Gomes) veio dizer que a equipa não teve tranquilidade desde o início da pré-época. Mas, para quem foram estas palavras? Para o treinador? Para o presidente? Para os adeptos? Para a comunicação social? Aquilo que poderemos dizer à primeira vista, é que o Nuno Gomes colocou o dedo na ferida. Durante toda a pré-época, o Benfica não saiu das páginas dos jornais, e não por questões de contratações, como é habitual durante esta época. Questões como a OPA de Joe Berardo sobre o clube e as declarações deste em relação ao Rui Costa e à equipa, por exemplo, não devem ter ajudado muito. Para além disso, a saída de Simão Sabrosa que, sabe-se agora, com a entrevista de Fernando Santos à RTP, nunca, neste defeso, demonstrou intenções de sair do clube. Quando Fernando Santos dizia que perder Simão seria um verdadeiro pesadelo, não estaria à espera que dois dias depois, o perdesse mesmo. Depois, veio o caso Manuel Fernandes que, é convocado para o jogo com o FC Copenhaga de manhã e à tarde já está com um pé no Everton, sem que o treinador tenha sido avisado antecipadamente. Algo curioso, não?

O verdadeiro culpado desta situação é o presidente Luís Filipe Vieira que nunca deveria ter mantido o treinador Fernando Santos no seu posto, no fim da última época. José António Camacho já deveria ter iniciado a época. Para além disso, não deveria delegar a chefia do futebol profissional na sua pessoa, tal como o Fernando Santos referiu na entrevista acima referida. Luís Filipe Vieira não tem competências para dirigir o futebol, o clube e, para além disso, a sua carreira empresarial, ao mesmo tempo. Por isso, a saída de José Veiga de director-desportivo foi uma grande baixa para o clube. Goste-se ou não dele e do seu estilo, era uma pessoa que tinha conseguido manter o plantel tranquilo e “blindado”. Essa questão resolve-se, de alguma forma, com a vinda de José António Camacho, já que este gosta de ter mais preeminência na gestão do plantel profissional. (De referir, que Camacho saiu do clube por divergências com José Veiga). No entanto, Luís Filipe Vieira já anunciou que Rui Costa ficará como director-desportivo na próxima época, “queira ele”. Mas, ainda não houve nenhuma resposta por parte do Rui Costa. E com a vinda de Camacho, essa posição não estará já ocupada? Nessa altura, não haverá sobreposições de cargos?

O presidente Vieira, com esta situação, sai fragilizado e só. Se, por um lado, conseguiu rentabilizar uma grande empresa, ainda não conseguiu criar condições para que a equipa de futebol consiga ganhar títulos com regularidade. Para além disso, existe alguma desorganização no clube. O senhor Vieira deveria estar mais preocupado em dar estas condições ao Benfica, do que em falar constantemente do Apito Dourado (ou não?). Será o início do fim?

21 agosto 2007

O futebol está de volta

O futebol está de volta com a Liga Bwin a iniciar-se este fim-de-semana. Para trás, ficam as férias, o peso a mais, ou mesmo, os grandes negócios que marcaram esta pausa no futebol.

Mais uma temporada, mais um ano de esperança para os milhões de adeptos do desporto-rei, em verem as suas equipas a lutar para chegarem à glória. Uns com objectivos de serem campeões, outros de chegarem aos lugares da tabela que dão acesso às competições europeias, e ainda outros, a evitarem descer de divisão. A emoção a cada jogada, as bolas aos postes e aquilo que todos queremos, os golos! Mas também, os rádios, em cada esquina, a gritarem, os pénaltis não marcados, as romarias aos estádios...

A nova temporada está marcada por muitas mudanças, especialmente, nos chamados "três grandes". Mudanças essas, que não me lembro de acontecerem há muito tempo. O nosso campeonato viu alguns dos melhores jogadores irem embora (ex. Anderson, Simão, etc.). Jogadores que vão fazer alguma falta à Liga, mas o nosso futebol é assim mesmo. Como campeonato de "segunda" na Europa, os clubes portugueses não conseguem manter os seus melhores atletas por várias razões:


  • Campeonato pouco competitivo (comparando com os campeonatos espanhol, inglês, italiano, etc.);

  • Poucas equipas de renome (tirando os "três grandes");

  • Falta de ambição da grande maioria dos clubes portugueses nas competições europeias;

  • Ordenados baixos;

  • Carga fiscal.

Estas cinco alíneas são as principais causas para o nosso campeonato não ser atraente para manter os bons jogadores ou mesmo chamar mais jogadores de renome.

Assim sendo, a política dos clubes portugueses passa por, por um lado, comprar barato para depois vender caro, como faz o F.C. Porto, indo buscar jogadores fora da Europa. Por outro lado, apostar na formação, como o Sporting. O Benfica andou, durante algum tempo, a saltar de um sistema para o outro, apostando, neste momento, no plano da formação (com a construção do Centro de Estágio).

Para o novo campeonato, os candidatos são sempre os mesmos (F.C. Porto, Sporting e Benfica). Qual deles irá ganhar, é a questão. Ou qual dos outros clubes poderá interferir na luta pelo máximo troféu português.


Na minha opinião, o Porto parece-me um bom candidato a ganhar. Pela sua história, pela manutenção da sua estrutura (que vem de há vários anos), pela estabilidade que tem dentro do balneário. Mas, mais do que isso, por não ter perdido jogadores importantes. Tirando o Pepe (era titular indiscutível e que saiu por uma soma que nem Pinto da Costa alguma vez sonharia), o Porto não perdeu mais nenhum jogador importante. Anderson era uma promessa de futuro, que ainda não tinha chegado a indiscutível, já que passou grande parte da época lesionado. Ricardo Costa não fazia parte dos planos de Jesualdo Ferreira, nem sei se alguma vez fez parte dos planos de algum treinador que tenha passado pelo Porto. Assim sendo, com a saída de Pepe, o Porto contratou o defesa Stepanov. Boa contratação, mas não creio que seja parecido com o Pepe, pelo menos não terá as mesmas características, já que Stepanov é mais forte fisicamente, mas não terá tanta velocidade do que o Pepe. O futuro dirá se este defesa se irá impor no Dragão. Para o meio-campo, chegaram Bolatti e Kazmierczack, que dão mais poder de choque do que P. Assunção e R. Meireles. Para além disso, também chegou um novo "mágico", Leandro Lima. Será ele o novo número dez do Porto, tenha ele oportunidades para jogador. Vem conotado como craque e promessa do futebol brasileiro. Para além disso, o Porto conseguiu manter as suas principais figuras (Quaresma e Lucho).

O Sporting foi, na minha opinião, a equipa que melhor se reforçou para a nova época. Para além de não ter perdido jogadores muito importantes, reforçou-se com, em alguns casos, jogadores melhores do que aqueles que saíram. Vejamos. Os leões perderam o seu guarda-redes titular. Para o lugar de Ricardo (de quem não gosto, confesso) veio o jovem sérvio Stojkovic (23 anos), que me parece francamente melhor que o, agora, guarda-redes do Bétis de Sevilha. Depois temos a saída mais relevante - Marco Caneira. O jogador que pertence ao Valência era polivante e era capaz de ocupar todas as posições do sector mais recuado da equipa. Para além de Caneira, também Tello é uma saída importante. O jogador saiu em conflito com o clube. Para substituir estes dois laterais vieram o eslovaco Marian Had e o brasileiro Pedro Silva (que já passou pela Académica sem dar muito nas vistas) e que são uma incógnita. O futuro dirá se farão esquecer os antigos laterais leoninos. No meio-campo, a entradas de Izmailov e Vukcevic só vieram reforçar em qualidade a equipa do Sporting, dando mais opções de qualidade a Paulo Bento. De realçar, também, a inclusão de (mais) um jovem médio das escolas do Sporting: Adrien (nome a recordar!). Para o ataque, a entrada Purovic parece-me também acertada, pelo menos parece-me melhor que qualquer um dos avançados que estavam na equipa no ano passado (Alecssandro e Bueno). Por fim, a entrada de Derlei. (É só por acaso que ficou para último). Derlei é um avançado que dá tudo o que tem e o que não tem em campo. Batalhador, nunca dá uma jogada por perdida. É um bom avançado, sem dúvida, e é muito melhor do que os dois que passaram pelo Sporting na época passada e que já referi. No entanto, não creio que voltemos a ver o Derlei dos tempos do Porto (devido à idade mas ,especialmente, à grave lesão que teve enquanto jogou na Rússia).

Para além do bom reforço da equipa, o Sporting (mais concretamento, o seu treinador) vive uma situação que os outros dois treinadores (Porto e Benfica) não têm. Nesta altura, Paulo Bento é um treinador querido junto da massa adepta, como há muito não se via pelos lados de Alvadade, o que lhe dá alguma margem de manobra.




No que toca ao Benfica, uma nova época é sinónimo de uma nova esperança. A surpreendente permanência de Fernando Santos não lhe dá muita margem de manobra para a nova época. O treinador não é querido junto dos adeptos e, ao contrário de Paulo Bento, não terá margem para errar. O clube fez um grande esforço para reforçar a equipa, tendo em conta que perdeu jogadores muito importantes. Será dos três grandes a equipa que menos hipóteses terá de chegar à glória no fim do campeonato. Em primeiro, nota-se alguma desconexão entre o treinador e o presidente, bem patente com a saída de Simão. A saída do ex-número 20 encarnado é a maior baixa. Simão era um jogador destabilizador, era o motor da equipa quando esta estava parada. A meu ver, a sua saída foi boa para o jogador (no entanto, não me parece que tenha escolhido o clube certo), mas também foi boa para o Benfica. Em caixa, entram 20 milhões de euros e uma poupança de alguns milhões em ordenados, daquele que era o jogador mais bem pago do plantel.

Para além da saída de Simão, as saídas de Miccoli e Karagounis afectaram a equipa pela negativa. Depois veio a saída de Manuel Fernandes, um dos melhores reforços, que saiu de um dia para o outro. Mais uma vez, não houve consonância entre treinador e presidente, já que o treinador não soube de nada atempadamente.

No que toca a reforços, o Benfica foi buscar vários bons jogadores, mas que pecam pela sua juventude. No que toca à baliza, os encarnados começaram por dispensar o guardião Moretto, ficando com Quim e Moreira e mais um jovem, mas dias mais tarde chegou o alemão Butt, voltando tudo à mesma situação (terem três guarda-redes que podem ser titulares, levando à insatisfação por parte de quem não joga). Na defesa, a vinda de Marc Zoro parece-me uma boa contratação, já que é um defesa bastante forte fisicamente, característica que nem Luisão, nem David Luiz têm. A vinda do outro central, Sretenovic, acaba por ser uma incógnita, estando mesmo na lista de dispensados. Quanto ao lado direito da defesa, a contratação de Luis Filipe também me parece boa. O ex-jogador do Braga demonstrou nas últimas duas épocas o seu real valor, numa posição que não era originalmente sua. Para o meio-campo, com a saída de Manuel Fernandes, perspectivam-se novas entradas na equipa, já que o argentino Andrés Díaz (contratado nesta pré-época) poderá ser também dispensado. Para além disso, um dos reforços de peso do meio-campo é um jogador que já estava na casa - Nuno Assis. Há também a ter em conta a vinda da jovem promessa americana - Freddy Adu -, que para além de grande aposta de marketing, poderá ser muito útil (tenha ele tempo e espaço para se adaptar ao futebol europeu). Outro jovem recém-entrado foi Fábio Coentrão. Brilhou na Segunda Divisão na época anterior e no Mundial sub-20, já demonstrou nos poucos jogos de preparação, ser um reforço para a equipa. No ataque, o nome mais sonante é Óscar Cardozo. Pé esquerdo fortíssimo, alto, bom de cabeça, é o avançado que o clube da Luz há muito procurava (espero eu). Para colmatar a saída de Miccoli, veio Bergessio. Lutador, não é um avançado goleador, nem tão pouco parecido (em termos de qualidade com o Miccoli), mas é mais uma opção. Para a saída de Simão entrou Dí María. Jovem argentino que brilhou no Mundial sub-20 (a Argentina venceu o Mundial), Dí María ainda não pode demonstrar a sua qualidade futebolística, devido a uma lesão muscular, contraída durante o Mundial. No entanto, tal como Adu, os adeptos deverão ter alguma calma, já que é jovem e não conhece a realidade europeia.

No que toca às outras equipas, há a realçar o Sp. Braga que conseguiu manter grande parte da estrutura da época passada. Jogadores como João V. Pinto, Madrid, Wender continuaram na equipa. A eles, juntaram-se César Peixoto, João Pereira, João Tomás e Zé Manel. O Braga poderá continuar a ser a equipa com mais hipóteses de se intrometer na luta pelo título. Outro histórico português é o Belenenses. A equipa de Belém habituou-nos a jogar bom futebol na época transacta. Continuará esta época? Para os lados de Belém a maior baixa é a saída (algo atribulada) de Dady. No entanto, a equipa reforçou-se bem, já que entraram o médio Hugo Leal (livre), o central Devic (ex-Beira-Mar) e o avançado Mendonça (ex-Varzim).

Para além do Belenenses, também o Paços de Ferreira e o Nacional poderão surgir como candidatos aos lugares europeus, tal como, o renascido V. Guimarães.

Por seu lado, o Leixões terá vida difícil para se manter no primeiro escalão do futebol nacional. Os jogadores que mais poderão ajudar a equipa são o avançado Roberto (melhor marcador da Segunda Liga, na época passada) e Vieirinha.

Por fim, Est. Amadora, V. Setúbal, Naval, Académica, Boavista, Marítimo (que teve a entrada daquele que foi uma promessa para o futebol nacional, o avançado Makukula) e U. Leiria vão lutar pelos lugares de meio da tabela, não sendo nenhuma surpresa se alguma destas formações descer para a Segunda Liga, já que pouco ou nada se reforçaram.

Agora que a análise está feita, que comece o espectáculo...

21 junho 2007

Novo Sinatra?


Michael Steven Bublé é o artista do momento. Nascido a 9 de Setembro de 1975 em Vancouver (Canadá), ele é um dos crooners de maior sucesso no mundo. Ao longo da sua carreira, já conquistou vários prémios e foi nomeado para vários Grammys.

Bublé despertou para a música graças ao seu avô, que lhe apresentou os sons de Mills Brothers, Ella Fitzgerald ou Frank Sinatra. Ainda adolescente, venceu um importante concurso de talentos canadiano, lançou vários álbuns independentes e participou num musical intitulado "Swing", com o qual percorreu os Estados Unidos em digressão.

Não tardou muito para que Michael Bublé conhecesse o produtor David Foster, que o lançou para o estrelato e lhe concedeu o seu primeiro contrato discográfico com a Reprise Records. O encontro ocorreu da forma mais caricata: Michael estava a cantar no casamento da filha do autor dos discursos de Brian Mulroney, antigo primeiro ministro do Canadá.

Bublé e Foster iniciaram a sua colaboração com o álbum de estreia "Michael Bublé", lançado em 2003, que reunia clássicos jazz como "Fever" ou "The Way You Look Tonight", bem como temas mais recentes como "Moondance" de Van Morrison, ou "How Can You Mend a Broken Heart" dos Bee Gees.

Depois de lançar o CD/DVD ao vivo "Come Fly With Me", Bublé editou o seu segundo álbum de estúdio, "It's Time", em 2005. Seguiu-se um novo álbum ao vivo, "Caught in the Act", no final do mesmo ano, e vários álbuns natalícios pelo meio.

Já este ano, Bublé lançou o seu terceiro disco de estúdio, "Call Me Irresponsible", que tem como single de apresentação o tema original "Everything". Todos os registos já lhe valeram mais de 12 milhões de discos vendidos em todo o mundo.

Actualmente, Michael Bublé vive em Vancouver, no Canadá, com a sua mulher, a actriz Emily Blunt ("O Diabo Veste Prada").

Pessoalmente, acho que estamos na presença de um cantor extraordinário que poderá superar Sinatra. Por enquanto, o rádio do meu carro ainda não se queixou de o ouvir e eu também não. Por isso, recomendo, vivamente, este último álbum, que já ouvi de trás para a frente e de frente para trás. Fantástico!




PS: mais uma sugestão, o álbum "Michael Bublé & Frank Sinatra - The Kings of Swing".

20 junho 2007

Parado no tempo! (Parte II)



Na continuação do post anterior, vou, nestas breves linhas, fazer mais um pequeno apanhado dos grandes problemas do Concelho de São Pedro do Sul (SPS) e daquilo a que a Vila com o mesmo nome tem assistido nas últimas semanas.

Ao longo dos últimos meses foi, nacionalmente noticiada, a questão da possível venda dos dois balneários das Termas de São Pedro do Sul e de parte do capital social da empresa que as gere (Termalistur), por parte da Câmara Municipal (CM) a privados. Entre o vende, não vende e as várias trapalhadas do Executivo camarário, em relação a este tema, decidiram não vender… para já! Outra questão relativa às termas e também noticiada nos vários jornais de referência do nosso país foi a “tardia” (acrescento eu!) remodelação do balneário D. Afonso Henriques e o forte investimento a que isso leva.

Essa remodelação vai custar ao erário público dez milhões de euros, dinheiro que a CM não tem. De todo! Nem para remodelações, nem para nada. Vejamos. A 31 de Dezembro de 2006, a Câmara Municipal apresentava um passivo de €21.688.237,18. Ora, acrescentando os dez milhões da remodelação do balneário, SPS vai subir uns quantos lugares na tabela dos munícipes mais endividados do País (já é o oitavo). Agora, a questão que deixo aqui é a seguinte, como é possível deixar chegar as finanças da autarquia a este ponto, quando não existem obras de relevo, importantes para o desenvolvimento do concelho? Muitas das freguesias não têm saneamento básico, não existem as, tão prometidas, variantes à Vila, não existem acessos de qualidade à A24 e à A25, não existe uma biblioteca digna dessa nome, não existe uma central de camionagem, continuamos com dois quartéis de bombeiros, sem necessidade (porque os bombeiros não se querem juntar numa só corporação). Para além disso, gasta-se dinheiro desnecessariamente. Como referi no post anterior, a construção do novo Estádio da Pedreira era desnecessário, pelo menos nestes moldes. Será que era mesmo importante, para já, gastar dois milhões de euros para uma equipa de meio da tabela das distritais. Não estou contra, claro. Mas não é, de todo, importante para o desenvolvimento imediato do Concelho. Não será mais importante aliviar os gastos com o pessoal ligado à CM que, só em 2006, pesou 38% do total das despesas, ou seja, quase 100 mil contos/mês!!!

Voltemos à remodelação do balneário D. Afonso Henriques. Onde vai a CM arranjar o dinheiro para pagar à empresa que fez a obra (Somague)? A dita empresa não é um pequeno empreiteiro ali do lado, não vai ficar sem o dinheiro. Agora que o balneário está para abrir, estou muito curioso por aquilo que aí vem. E para ajudar à festa, a CM, depois de dois anos sem o fazer, resolveu voltar a publicar o seu Boletim Municipal, pago, como era de esperar, por todos nós. Como também era de esperar, este boletim de “propaganda” dá grande ênfase a reabertura do balneário, para além de dar uma ideia cor-de-rosa do Concelho, como se não houvesse problemas suficientes para serem resolvidos. Para além disso, a CM está a fazer desta obra, a menina dos seus olhos e utiliza-a para que os sampedrenses se mantenham a escuridão, com grandes cartazes em toda a Vila. Mais uns milhares de euros a saírem dos nossos bolsos. Para além disso, o dito boletim dá ênfase ao facto da CM financiar a obra em 90%. Para mim, não é motivo de orgulho, bem pelo contrário. Seria motivo de orgulho, se se dissesse que teria de financiar só 10%. Era sinónimo de que teria conseguido uns quantos milhões do Estado central ou da União Europeia. Mas o mais curioso, é que os restantes 10% foram conseguidos à mais de seis anos, ainda estava se encontrava à frente da CM, um partido de cor diferente. Ora, passados tantos anos, o dinheiro já voou. Portanto, a CM não financia 90%, mas sim 100%. E o passivo sempre a subir. Mas é motivo de orgulho!

A acrescentar a isto, o Sr. Presidente anda a vangloriar-se, que a obra vai estar pronta dois meses antes do previsto. Que saiba ainda não tenho problemas de memória, mas, a obra não devia estar pronta em Abril passado? Não foi isso que o Sr. Presidente anunciou o início da obra, com cartazes e tudo? Que eu saiba já vamos com dois meses de atraso e não me parece que as obras estejam prontas para a reabertura, já que só o primeiro andar está “quase” pronto, o resto ainda está longe. E, será que a obra vai mesmo ficar nos propagandeados dez milhões de euros? Algo me diz…

O S. Pedro está a chegar e SPS vai festejar, com as festas da Vila. Ora, aqui também tenho algo a dizer. Em primeiro lugar, a contratação de um artista de renome nacional (que até gosto), mas que vai custar à CM perto de cinco mil contos, quando várias associações culturais da terra andam financeiramente estranguladas porque a CM não cumpre os pagamentos dos vários espectáculos que estas realizaram. Ou muito me engano, ou não me parece que o dito artista fique sem o seu dinheiro.


Assim vai a vida em São Pedro do Sul, demasiado má para ser verdade...

10 junho 2007

Parado no tempo! (Parte I)

Tal como prometido no primeiro e no último post, desta vez venho deixar aqui a minha preocupação em relação a este belo Concelho. O título deste comentário não vem por acaso. Parado no tempo é como se encontra o Concelho e mais especificamente a vila de São Pedro do Sul, sede do respectivo Concelho.

Passei oito anos fora de São Pedro do Sul e do país. No entanto, passados esses anos a vila continua com os seus ridículos e mesmos acessos, fechada para o resto do mundo. Hoje, tem às suas portas duas acessibilidades que lhe poderão dar grande desenvolvimento. Por um lado, a A24 (que liga Coimbra (IP3) a Vila-Real) a cerca de 15 quilómetros, por outro, a A25 (liga Vilar Formoso (fronteira com Espanha) a Aveiro, e uma das principais vias do país) a cerca de 8 quilómetros. Com estas duas auto-estradas tão próximas, pode-se criar condições para que São Pedro do Sul se desenvolva, trazendo investidores privados para a região. Mas isso, só é possível caso os responsáveis camarários abram as portas do Concelho, que neste momento são demasiado pequenas e que permitem, com algumas dificuldades, o cruzamento de duas viaturas ligeiras. A vila de São Pedro do Sul sofre da sua má posição geográfica, já que se encontra inserida no meio de várias zonas montanhosas, o que torna as coisas mais difíceis. (Como me dizia um professor meu da faculdade, arqueólogo, a vila de São Pedro do Sul é como um “penico”).

Desde a criação e implementação de empresas (e respectiva criação de empregos) à facilidade dos turistas virem até cá, as boas acessibilidades são um factor importantíssimo para o desenvolvimento de qualquer região. No entanto, pouco ou nada se fez nos últimos quinze ou vinte anos.

O actual Presidente da Câmara já demonstrou a sua aposta no turismo. Concordo plenamente, já que São Pedro do Sul tem as termas mais frequentadas da Península Ibérica, com cerca de vinte mil utentes/ano, passando para uma capacidade (segundo informações da Termalistur (empresa municipal que gere as respectivas termas)) de quarenta a quarenta e cinco mil utentes/ano, com as obras de ampliação de um dos balneários (inaugurado até ao fim deste mês). Até aqui tudo bem. Mas, não seria importante apostar também em desenvolver os dois parques industriais existentes no Concelho, que estes, sim, se encontram “desertos”? Não seria importante captar empresas a instalarem-se em São Pedro do Sul, de forma a criar mais empregos, para que os jovens não saíam e sejam obrigados a ir para os grandes centros ou mesmo para fora do país? A criação de novos empregos não desanuviaria a própria Câmara que tem excesso de pessoal (tem um peso de 39% (!) face à despesa total, segundo o relatório e contas de 2006)? O peso com esse pessoal (entre pessoal da própria Câmara e da Termalistur) não será um dos problemas para o grande endividamento da Câmara Municipal (estamos a falar do oitavo (!?) concelho mais endividado do país)? Será que a Câmara e o Sr. Presidente não vêm os erros dos “ditos” arquitectos ou engenheiros que trabalham na própria Câmara e que fazem um cemitério numa pedreira?! Será que quando for necessário enterrar alguém, vamos ter que abrir o buraco com uma retroescavadora ou um martelo pneumático? Será que os “ditos” engenheiros não pararam para pensar e não viram que o nome do Estádio de futebol que se encontra na mesma zona, não é por acaso (Estádio da Pedreira!)? Ou será que não quiseram ver…? Será que era necessário gastar alguns milhares de euros com a construção do respectivo estádio, com estas condições (capacidade para duas mil pessoas e relva sintética), quando estamos a falar de um clube do meio da tabela dos Distritais? (A política e… o futebol!) Isto, só para dar um dos mais recentes exemplos…

Para que não fiquem dúvidas e me acusem de ser da oposição, realço que este post é uma critica a todos os governantes que passaram pela autarquia, sejam eles de que partido forem. O que interessa aqui, não são as cores dos partidos no poder, mas o bem de São Pedro do Sul e dos seus habitantes.



http://www.cm-spsul.pt/

30 abril 2007

Até parece mentira

Passeava eu, numa tarde bem agradável, por São Pedro do Sul, quando me deparei com um enorme cartaz que me dizia "Não vá mais longe... Termas de Alcafache... Aqui tão perto". Nem queria acreditar naquilo que vi. Não é que as Termas de Alcafache não possam fazer a sua publicidade em São Pedro do Sul. Vivemos numa democracia e em globalização. As respectivas termas estão no seu direito de fazer publicidade e onde bem querem. Não sei o que pensam, mas a mim dá-me vontade de rir...
As Termas de Alcafache têm apostado, nos últimos tempos, num rejuvenescimento da sua marca. O seu principal produto é a vinoterapia, que consistem na utilização dos produtos extraídos da uva, desde a graínha, à própria casca e ao sumo. A aposta é tal, que foi contratada uma figura pública bem conhecida de todos nós, como modelo para campanhas publicitárias. Passei pelas Termas de Alcafache uma única vez, há um ano. Não me pareceu nada de muito importante, pareceu mais uma pequena aldeia. No entanto, está a apostar forte no seu reconhecimento.
Só espero que todas as entidades de São Pedro do Sul tenham visto este cartaz. Assim, se leva um produto ao seu consumidor. Tenho a certeza de que em Alcafache, nem em qualquer parte do País, não haverá um cartaz das Termas de São Pedro do Sul.
Quanto a São Pedro do Sul e aos seus políticos, publicarei brevemente um post intitulado "Parado no tempo" (como, aliás, prometi no primeiro post deste blog).

Queima das Fitas!!!

No dia 6 de Maio (próximo domingo) começa aquela que é a maior actividade realizada na "bela" cidade do Porto. Durante uma semana, a cidade não dorme e as suas ruas são invadidas por milhares de estudantes, não só do Porto, mas de todo o País. Assim, esperamos por todos vós!


http://www.queima2007.com/

03 abril 2007

Entre a Argentina e o Reino Unido

Fez ontem 25 anos que as Ilhas Falkland (como os ingleses lhes chamam) ou Malvinas (como são conhecidas em todo o mundo não anglo-saxónico), colónias britânicas, foram invadidas por forças terrestres e navais da República Argentina, então governada por uma sanguinária Junta Militar, então liderada por Leopoldo do Galtieri.
Esta colónia britânica é constituída por duas ilhas principais e um número elevado de ilhas menores, situadas ao largo da costa da Argentina. O nome "Falklands" foi dado por John Strong em 1690, em homenagem ao Visconde de Falkland, que era uma cidade na Escócia, enquanto que o nome "Malvinas" deriva do nome francês "Îles Malouines", dado em 1764 por Louis Antoine de Bougainville em referência à cidade francesa de Saint-Malo (de referir, que estas ilhas também pertenceram à França).
Mas que ilhas são estas para provocarem esta tensão entre os dois países? À época nem a grande maioria dos britânicos conheciam onde elas se situavam, pensando tratar-se de um grupo de ilhas ao longo da costa escocesa. Dos dois lados existiam questões de orgulho para a disputa destas ilhas. Com uns 7 mil km2, o arquipélago não é tão pequeno como possa julgar-se. Mas chove 200 dias por ano e a paisagem, inóspita, é feita de turfeiras e colinas rochosas. Elas eram habitadas, em 1982, por 1800 pessoas, todos descendentes de ingleses, escoceses e galeses. Para além disso, o petróleo existente não é em quantidade que justifique a exploração. A única razão encontrada foi a soberania e o orgulho ferido.
A "Guerra das Malvinas" fez, qualquer coisa como, 258 mortos, do lado inglês e 694, do lado argentino, para além, de quase 2000 feridos, entre um lado e outro. A então primeira-ministra Margaret Thatcher, não tinha intenções de largar de mão beijada este pequeno arquipélago, e não deixou. Foi com esta guerra que Thatcher construiu grande parte do seu carisma. Mas, será que era necessário chegar aos confrontos?
No dia das comemorações do início da guerra (ontem), a Argentina voltou a realçar a importância de reabrir as negociações para a passagem das ilhas para as suas mãos. Do outro lado, as comemorações decorreram normalmente. Quanto à resposta britânica, aguarda-se!

02 abril 2007

Bom de mais para ser verdade

Sem tornar este blog demasiado futebolístico, não é o seu principal objectivo, não poderia deixar de expressar o meu descontentamento em relação àquilo que se passou durante o jogo de ontem, que opôs a equipa do meu coração, à equipa anfitriã da cidade onde estudo e, que para mim, será das mais bonitas de Portugal (Benfica vs. Porto).
Terá sido, talvez, a primeira vez que na semana anterior ao jogo, não existiram comentários de parte a parte a incendiarem o jogo. Tivemos uma semana tranquila, nem parecia que (dia 1 de Abril) iríamos ter um jogo tão importante. Nada de comentários desmesurados, nada de picardias, nada de nada...
Infelizmente era bom de mais para ser verdade! Porque o meu clube teve que estragar a festa e se tem de haver um culpado, há só um, e chama-se Luís Filipe Vieira.
Mas, o que quero eu dizer com isto? É muito simples. Para quem ouviu as notícias entre a noite de ontem e esta manhã, saberá que houve desacatos entre claques e que rebentaram sete (7?!) petardos no meio de adeptos benfiquistas. Estes petardos foram lançados pela claque do Porto. Até aqui, nada de muito anormal para estes jogos. Claro está, que não deveria ser normal estas coisas acontecerem, mas é o civismo que temos. O que mais me incomodou e que podería ser evitado, é que estes petardos rebentaram na zona de adeptos benfiquistas, porque a claque portista foi colocada no terceiro anel do Estádio da Luz, o que não costuma acontecer nos outros jogos. As claques das equipas visitantes têm sempre o mesmo lugar, junto ao relvado, atrás de uma baliza. É sempre no mesmo sítio. Mas ontem, os responsáveis do Benfica lembraram-se que o melhor era colocar a claque portista no terceiro anel, com todos os problemas que poderíam causar e mais, sabendo da dificuldade da polícia em controlá-los naquele sítio. Uma coisa é estar junto ao relvado onde se tem espaço de visão e controlo, outra é estar no terceiro anel.
Com esta situação, os adeptos benfiquistas ficaram vulneráveis e levaram com petardos, cadeiras e tudo o que a claque portista se lembrou de mandar para cima deles. Entre os adeptos encarnados encontravam-se pessoas mais velhas e também crianças. Imagino o medo daquelas pessoas, durante o jogo todo, já que vivi a mesma situação há dois anos do Estádio de Alvalade, num jogo de má memória para a minha equipa. Não conheço as razões para os responsáveis do Benfica terem mudado o sítio da claque visitante, mas que não foi boa ideia, não foi. Como é possível chamar-se as famílias para virem ao estádio, quando aconteceu estás coisas. Quanto à entrada de petardos, bem aqui não me admira nada. Em qualquer estádio neste país, entra-se sem qualquer problema. Esta temporada, fui ver dois jogos para a Liga dos Campeões no Estádio da Luz e nem sequer fui revistado. Nada. E uma das vezes até levava uma mochila. É inadmissível! E não me espanta que seja assim em todos os estádios.
Mais uma vez os dirigentes desportivos demonstram a sua ignorância. O sr. Luís Filipe Vieira demonstrou como não se recebe um adversário, independentemente das rivalidades estúpidas entre os dois clubes, e mesmo, as duas cidades. É por estas coisas que um clube se torna grande e prestigiado!

in porta10a.blogspot.com/2006_09_01_archive.html